MATÉRIAS

Publicada em 14/07/2008 na Revista Metrópole

Ediçoes especiais
Campinas 234 anos – Black music vira febre nas baladas

A face multicultural de Campinas também se rendeu ao som negro das pick-ups e as batidas alucinadas dos scratches

Mensagens de conscientização e denúncia que mostram a crueza das ruas e suas injustiças sempre acompanhadas do ritmo forte das batidas e dos scratches nas pick-ups ou um bom e velho balanço. Tudo flui nas caixas de som com aquele barulhinho da agulha rasgando o disco de vinil ao fundo, capaz de fazer qualquer alma desse mundo se levantar da cadeira e se jogar na pista de dança até altas horas.

As faces multiculturais de Campinas também abriram espaço à influência fundamental da música negra, seja ela na forma de funk, de soul, de blues, do reggae ou do rap. Seja na periferia ou nas baladas da região mais central, o suingue negro faz a cabeça de muita gente ligada em qualidade. E essa turma só aumenta.

“Quando começamos, na metade da década de 90, esse som não era comum de se ouvir nas festas, mas a reação do público foi imediata. Fazíamos eventos semestrais onde se reuniam até mil pessoas na Unicamp, por exemplo. Muita gente curtia a black music, mas não havia locais onde era possível ouvi-la. A gente sentia que tinha uma demanda reprimida”, conta Paulo Sakae Tahira, de 34 anos, um descendente de orientais que, com o codinome de DJ Paulão, foi um dos pioneiros a acender a chama da música negra entre os campineiros, chama essa que queima mais do nunca pelas baladas mais descoladas da cidade atualmente.

“Sempre trabalhei com groove, com black music. O movimento é forte na cidade. Campinas tem material humano para desenvolver todos os tipos de movimento”, diz o DJ.

Também considerado ícone desse universo em Campinas, o DJ, músico e radialista Fred Jorge ressalta a importância da renovação do público e de quem faz as coisas acontecerem. Para ele, a utilização mais freqüente dos espaços públicos também poderia fazer com que esse estilo musical pudesse ser conhecido por mais pessoas. Uma ligação mais próxima com a mídia é outro fator importante, de acordo com ele. “Quem espera fazer o movimento sentado não vai sair do lugar nunca. Essa mobilização não está acontecendo apenas no Brasil, mas também em diversos outros países. Hoje em dia, é possível trocar idéias e informações com DJ’s de fora”, diz. “A motivação que tivemos em Campinas, de fortalecer a black music, foi a mesma de muitas outras pessoas em diversas partes do mundo”, reforça Jorge.

Pesquisa de vida

Mais do que identificação com um estilo, o DJ e músico encara a black music e suas diversas vertentes como uma vivência mais profunda. “Esse tipo de som acaba sendo uma terapia para mim. Como DJ, você está todo tempo procurando a música perfeita, aquela que vai agradar na pista de dança. É uma pesquisa de vida, mesmo”, explica. “Eu acredito que todo movimento passa um dia, mas vejo que aqui em Campinas o envolvimento das pessoas com a black music está crescendo e o público tem se renovado. A black music é Brasil, é essa mistura que une todos que gostam dela, seja quem for”, atesta Jorge, cada vez mais apaixonado pelo que faz.

Inquérito leva prêmio de melhor rap e é destaque

Dez anos de estrada, um CD lançado — intitulado Mais Loco que u Barato — e um segundo trabalho pronto para sair do forno — Um Segundo é Pouco. Isso, sem contar o prêmio de Melhor Música, com o trabalho Dia dos Pais, recebido em 2006 durante a cerimônia do Hutúz, o maior evento para celebrar os destaques do hip hop na América Latina.

O grupo de rap Inquérito tem Campinas como sua base, mas seu nome já correu o País como uma das grandes revelações do rap nacional nos últimos anos. Com orgulho de contar em suas rimas a realidade das ruas, Renan Lélis, de 24 anos, é o letrista do grupo que, além do tradicional toca-discos também utiliza violão e piano em suas músicas.

“A cena do hip hop é forte aqui na cidade e é ainda maior se juntarmos os grupos da Região Metropolitana, que são muitos. Mas, atualmente, o movimento precisa dar uma reaquecida. Faltam pontos de encontro para o pessoal do rap, que antes se achava nas lojas de disco do Centro, locais que não existem mais”, lamenta Lélis. “Me inspirei muito ouvindo pessoas da nossa própria cidade, como o Sistema Negro. Eles são um ótimo exemplo de que muitas coisas de qualidade são feitas aqui mesmo”, afirma o letrista.

Matéria da edição de 31/07/2009 da Gazeta do Cambuí

Fred Jorge, o maioral

Nas pistas há nove anos, o DJ, músico e produtor musical anuncia para outubro o lançamento do primeiro CD de sua banda

ÉRICA ARAIUM

Figura carimbada das noites campineiras e assíduo frequentador de points do Cambuí como Andarilho Bar e Restaurante e Bar do Italiano, Fred Jorge é puro samba-black-soul-blues e faz uma grooveria de responsa. Então, “se tu não tá na boa, bicho, procure se inteirar”, já dizia Tony Tornado. Para a sorte dos fãs, o DJ, músico, produtor e vocalista da banda Fred Jorge e os Maiorais, nas pistas há nove anos, anuncia para outubro o lançamento do primeiro CD da carreira da banda, financiado com recursos do Fundo de Investimentos Culturais de Campinas (Ficc) — Edital 2008/2009.

“Esse fundo, que já está na terceira edição, foi uma grande sacada da Prefeitura. Quem vive da arte é tratado com o profissionalismo que merece e tem de lidar com o próprio projeto, respeitando prazos e valores”, avalia Fred.

Boa parte das nove faixas do álbum, produzido por Mário Porto e regadas de improviso “bluesístico” já haviam sido pré-produzidas entre 2007 e 2008. Para incrementar a festa, Fred convocou duas backing vocals campineiras — Caroline Blumer e Mariana Castrillon — “para os arranjos e coros”, além do tecladista mineiro João Cleber Futuoso (da trupe do cantor Daniel) e outros “especiais”.

Para coroar a história, Fred pensa em incluir num videoclipe cenários urbanos como o Centro de Convivência Cultural Carlos Gomes. “Campinas tem paisagens urbanas muito bacanas e a gente tem mais é que enaltecer esses locais”, diz o músico.

Xará

Quem o vê soltar o vozeirão nos shows ou desenvolto em pick-ups moderninhas, cheio de estilo e suingue, mandando bem nos scratches, imagina que o bamba começou cedo. Pura verdade: “Ainda nas fraldas, ele colocava aqueles disquinhos com quatro músicas na vitrola e dançava, todo feliz”, conta, corujíssima, Thalia Vicente dos Santos, a dona Nice, mãe de Fred, Jaqueline e Davi — mais conhecido como Billy Rios, guitarrista dos Maiorais.

Aliás, nome de batismo é mesmo algo relativo na família Vicente dos Santos: “Meu pai era Diogo Martins e se registrou como Deolindo dos Santos. Meu nome seria Fred Jorge Vicente Martins”, revela.

A inspiração para o nome do DJ veio pelas ondas do rádio: “Minha mãe delirava ao ouvir o locutor anunciar as radionovelas do Fred Jorge”. Do iê-iê-iê da Jovem Guarda, o nosso Fred Jorge herdou não somente o homônimo do novelista: em 1992, também entrou no dial, como locutor dos 99,1 MHz da extinta Rádio Cultura FM de Campinas.

“Certo dia, um ouvinte me ligou pra saber se Fred Jorge era meu nome artístico. Disse que não. Pois não é que o cara me fez mandar meu RG pra ele, por fax?”, lembra. Depois de um bom papo, Fred descobriu que o tal ouvinte, um dentista, era natural de Tietê — terra do Fred Jorge “original” —, e muito amigo da família do compositor de canções memoráveis, como Estúpido Cupido e Diana, falecido em 1994.

Flechado pela coincidência, Fred caiu na estrada e foi a Tietê conhecer a irmã do garoto papo firme que o dentista falou. “Fui recebido com festa, fiquei num lugar de honra e passei um bom tempo no quarto intacto de Fred Jorge, repleto de discos.”

Ó, pai, ó

Acontece que seu Deolindo, pai de Fred, protestante, creu que Deus o havia enviado a Salvador. “Fredinho” tinha uns dez anos: “Passava carnavais dentro de casa. Só que a gente morava bem em frente a um terreiro de umbanda: ficava na janela de olho no batuque. Fui parar no lugar certo!”, brinca. A família do DJ passou a apoiar os filhotes Billy Rios e Fred Jorge ao notar que não encaravam a música como “sossego”: era emprego. Dona Nice, porém, só conferiu de pertinho o talento dos filhos em 2006, numa apresentação na Fnac: “Gostei demais.”

Fãs e ídolos

Fred Jorge tem muitas fãs, diga-se de passagem: “Afinal, faço música pensando no que as mulheres pensam”, gaba-se. Fora das pistas, agrada também à molecada: virou ídolo de um guri que o viu na internet e é professor de discotecagem no projeto Resgate, que atende menores infratores: “Cresci na periferia e entendo bem aqueles meninos. Essa coisa de DJ atinge as crianças, é gratificante.” Entre os ídolos do DJ, figuram outros papas das pistas como MZK — “um maluco delicioso de ouvir”, na definição de Fred Jorge – e DJ Paulão: “Aprendi a pesquisar sobre música com Paulão. Quero seguir os passos dele, muito respeitado nos cenários nacional e europeu.”

Banda

Em 1999, Fred chamou o irmão Billy e, juntos apostaram na ideia de montar um grupo que tocasse a boa safra da black music. Nascia a banda Fred Jorge e Os Maiorais. O nome é uma homenagem ao Lobo, um personagem mercenário das HQs, ídolo dos irmãos. Formada atualmente por Fred Jorge nos vocais, Billy Rios na guitarra, Cristiano Oliveira nos teclados e vocais, Gustavo “Boni” no baixo, Luis André “Gigante” na bateria e vocais, a banda conta ainda com o reforço de um integrante do grupo Intergalize: Marcelo Pereira no sax, flauta e vocais. A experiência de Fred Jorge como radialista e DJ foi decisiva: “O que funciona na pista entra no repertório da banda”. E que repertório: Tim Maia, James Brown, Jorge Benjor, Kool and the Gang, Marvin Gaye e outros. “O que a gente não toca? Música ruim”, brinca Fred, que adora surpreender o público.

GLOSSÁRIO

BPM: número de batidas de uma música por minuto. Quanto maior o BPM, mais rápida é a música
Groove: levada bacana, alma da música
Pick up: toca-disco utilizado para tocar discos de vinil
Mixagem: passar de uma música para outra sem deixar cair o ritmo na pista
Scratch: movimento feito pela mão para frente e para trás no disco de vinil
Sambar: errar
Sampler: equipamento para armazenar e reproduzir o som da maneira que o DJ deseja
Swing: suingue, balanço, ritmo

Observador e inventivo

O quarto do DJ também é repleto de vinis, CDs e livros. Não podia ser diferente, ainda mais para alguém cujo barato é “botar pra dançar”. Paulistano nascido há mais de 25 anos (não revela idade, mas se sente com 25 — e ponto), filho de evangélicos, apurou o timbre grave-doce em corais de igreja e venceu a timidez em aulas de teatro. No rádio, deslanchou. “Ele foi meu aluno num curso de comunicação e expressão. Depois, virou meu pupilo na Cultura FM e, quando me dei conta, já era colega de trabalho: sempre observador e inventivo”, lembra o radialista Fernando Macari, com quem Fred tomou gosto pelo blues.

Pode soar desafinado, mas Fred viveu, literalmente, uma fase punk antes disso. Repúdio era o nome da banda que o garotão, perto dos 18 anos, integrou tocando bateria: “Classificamos duas músicas num festival da Unicamp, em 1988. A gente falava do eterno sobe e desce dos políticos vagabundos nas rampas do Planalto.”

Nesse meio tempo, o cenário político não mudou quase nada. Atos secretos e afins que o digam! Mas, o repertório de Fred, sim. Por conta do trabalho na Cultura, tornou-se eclético, trocou a batera pelos vocais e formou, em 1992, a banda Big Muff: um bando de caras bons (e egocêntricos) tocando blues. A brincadeira acabou em 1998.

Profissionalmente, foram sete anos de crescimento e experimentação: “Nessa época, a rádio acenava pra mim: ‘Olha o James Brown, o Cassiano, o Tim Maia!’” E foi num show de Gilberto Gil, em Campinas, que a ficha, definitivamente, caiu: “Ali, comecei a entender e a respeitar a música brasileira e seus ritmos.” Será?

Revista Metropole – Publicada 29/04/2007
Botando para ferver

Discotecagem: escolas ensinam os segredos de um profissional cada vez mais requisitado em baladas e festas

Rodrigo Maia
rodrigom@rac.com.br

As pistas de dança da cidade são uma volta ao mundo musical. O DJ, grande piloto dessa viagem que atravessa as noites, vai da Romênia aos Estados Unidos, da Inglaterra ao Paquistão sem “sambar” nas pick-ups. Mas as boates e casas noturnas não são o único hábitat desse profissional que expandiu as fronteiras e hoje é requisitado em vários tipos de eventos, de festas infantis a desfiles de moda.

Com a ampliação do mercado de trabalho, a especialização profissional é exigência. Afinal, não basta escolher boas músicas. Os hits devem ser tocados no momento certo, no ritmo e na seqüência adequados.

Mas onde e como aprender a ser DJ? Em Campinas, a Academia Internacional de Música Eletrônica (Aimec) oferece os cursos de discotecagem e produção de música eletrônica sob a orientação de mestres na arte, como André Luchi, Alessander Corsi, Fat, Marcelo K2, Tchelão e Felipe Paniago. São três horas de aula. A metodologia, afirma o proprietário, DJ e professor Tuca Flash, veio de Londres.

No curso de discotecagem, cada aluno tem sua própria pick-up (toca-disco de vinil) e equipamentos para CDs. O estúdio conta com oito pick-ups, todas monitoradas pelo professor. No curso de produção de música eletrônica, são seis alunos por turma com três computadores disponíveis.

Durante o período em que o aluno estiver matriculado, explica Tuca Flash, a sala de treinamento é liberada para uso em qualquer horário. Basta agendar. “Após o curso, com o pagamento de uma pequena taxa, ele também poderá utilizá-la”.

O professor Tuca Flash garante que, para matricular-se nos cursos, não é necessário ter experiência anterior. O único requisito é a vontade de aprender. “A experiência pode ajudar, mas não é fundamental”.

Músicas de autor

Na Aimec, o aluno pode optar por cursos extensivo ou intensivo. No extensivo, são 48 horas, divididas em 16 aulas. No intensivo, são 24 horas em oito dias. O conteúdo é o mesmo nos dois cursos, diz Tuca Flash.

O curso de discotecagem ensina a utilizar os equipamentos de maneira adequada, acertar os compassos das batidas, sincronizar as músicas. Além disso, aprende-se a montar um repertório e a diferenciar os estilos de músicas. “As aulas servem para aprimorar o feeling do aluno. A mixagem bem-feita é primordial para destacar a qualidade do DJ”, diz.

No curso de produção musical, o DJ aprimora-se na mixagem, aprende a equalizar e a dar acabamento em suas próprias músicas. Os softwares utilizados são o Ableton Live, Reason e Cubase. Segundo Tuca Flash, o mercado da música eletrônica sofreu uma reviravolta nos últimos anos. “Dentro de dois anos, o DJ que não produzir suas próprias músicas não terá espaço no mercado”.

Há 23 anos na discotecagem, Tuca Flash é um DJ da época do “tape de rolo”. No entanto, está sempre atualizado com o que há de mais recente no mercado de música eletrônica. Ele observa que a música, antes encontrada apenas em vinil, atualmente é difundida por milhões de sites na internet. “Hoje é possível que um DJ compre uma música durante uma balada e, em seguida, a disponibilize para o público na pista”.

Não dá para ficar parado

As transformações são rápidas e exigem constante atualização

Um curso de DJ serve tanto para quem quer se tornar um profissional da música eletrônica quanto para os que desejam ter apenas um hobby. Disposto a atuar profissionalmente, Felipe Simenez fez curso de discotecagem. Desde criança, sempre foi um apaixonado por música eletrônica. Colecionava e lia muitas revistas especializadas. Não demorou a arrumar emprego em uma rádio comunitária como operador de áudio. Mais tarde, brincou de ser DJ em festas de amigos. Em seguida, atuou em festas de bufês. Nesse momento, o que era hobby tornava-se profissão.

Atualmente, Simenez trabalha como iluminador em uma boate da região. Na casa, já teve oportunidades de tocar por alguns momentos. Também já foi o DJ oficial em raves.

O bom DJ, afirma Simenez, deve acompanhar, interagir, dançar e conversar com o pessoal que está na pista. “A humildade deve estar acima de tudo. Se isso não ocorrer, ele vai parecer o ‘Robocop’ tocando”.

Assim como Simenez, Juliano Massarini também pretende ser DJ. Ao matricular-se no curso de discotecagem, pensava apenas em ter um hobby. Hoje, ele afirma sem qualquer sombra de dúvida: “É a profissão que quero seguir”. Afinado com a música eletrônica, ele possuía vários equipamentos, mas não tinha o principal: conhecimento. “Depois que fiz o curso, percebi a evolução. Não conseguia encaixar algumas músicas da maneira correta”, lembra. Uma de suas maiores mancadas foi colocar uma música da Xuxa após uma eletrônica quando bancava o DJ num churrasco de amigos. “Queria inovar. Nunca recebi tanta vaia na minha vida”. Disposto a se aperfeiçoar, ele pretende aprender produção de música eletrônica. “Não posso ficar parado no tempo”.

Mercado livre

Para o DJ Fred Jorge, conhecer o hip hop é fundamental para o bom profissional. Segundo ele, as técnicas são mais difíceis, o que oferece melhor preparo para qualquer outro estilo.

Adepto da black music, Fred Jorge decidiu estudar para ser DJ há cinco anos. Mas a afinidade com a profissão vem de outros carnavais. Em 1994, ele trabalhava na extinta Rádio Cultura, em Campinas. Em alguns programas, convidava DJs para mostrar seus trabalhos aos ouvintes. “Nessa época, comecei a me interessar pelas técnicas utilizadas por eles”, afirma.

No início, Fred Jorge hesitava em aprender o scratch (movimento feito pela mão para frente e para trás no disco de vinil). “Achava que não era necessário saber esse movimento”. Após receber as primeiras lições, reconheceu a importância do scratch na atividade de DJ. “Facilita a mixagem de músicas”, resume.

Depois de se tornar profissional, ele afirma ter “sambado” algumas vezes. “Sambar”, na linguagem dos DJs, significa errar. “Já cometi vários equívocos nas passagens das músicas”, conta.

Atualmente, Fred Jorge “samba” pouco. Tanto que dá aulas particulares para amigos e é professor no projeto Resgate, que atende menores infratores. “É muito gratificante. Antigamente, a molecada só queria tocar guitarra. Isso mudou. Hoje, muitos pensam em ser DJs”.

No projeto, os garotos, mesmo sem experiência anterior com música, podem aprender as técnicas e os ensinamentos básicos da profissão. “É um grande incentivo para eles”.

Além de conhecer as técnicas, ele considera importante que o profissional tenha diversidade nas escolhas musicais. “O DJ deve ouvir de tudo e ficar atento a todos os estilos. Para ser eclético, tem que ter cultura musical”, finaliza.

Batidas por minutos (BPM)

Reggae: 70 – 90
Hip hop: 80 – 105
Big beat: 90 – 130
Garage: 120 – 130
House/Speed garage: 125 – 140
Techno: 130 – 145
Psy trance: 135 – 145
Hardhouse: 138 – 145
Hardcore: 150 – 175
Drum’n’bass: 160 – 200

Entenda essa língua

Acid house: house music com sons mais psicodélicos e viajantes. Uma das grandes revoluções da música pop.

Acid jazz: música eletrônica com instrumentos elétricos e acústicos que utiliza o funk e o breakbeat.

Álbum: conjunto de músicas lançadas num mesmo vinil de 12 polegadas ou num CD.

Ambient: música eletrônica de pano de fundo de bate-papos. Compõe o ambiente.

Amen: batida suja e muito veloz, como do jungle e drum’n’bass.

Backspin: movimento de girar o disco ao contrário, produzindo o efeito que o DJ usa nas mixagens.

Book o Bucar: contratar um DJ.

Big beat: união do lado pesado da tecno com a viagem do trip hop.

Breakbeat: batida quebrada. Engloba o drum’n’bass, jungle, trip hop, big beat, funk e gêneros de batidas quebradas.

BPM: número de batidas de uma música por minuto. Quanto maior o BPM, mais rápida é a música.

Chart: relação de músicas favoritas.

Crossfader: controle deslizante dos mixers profissionais para aumentar ou diminuir o volume das músicas.

Drum’n’bass: música em ritmo alucinado, rápido e totalmente quebrado.

Electro: texturas extremamente eletrônicas, utilizadas em estilos como funk, hip hop, tecno e trance.

Groove: levada, isto é, a alma da música. Por exemplo: um groove latino, dá o jeito de lambada.

Hardcore: música tecno agressiva, abrasiva e repetitiva.

House music: gênero musical voltado para as pistas de dança.

Jungle: gênero com breakbeat rapidíssimo, em torno de 140 a 170 bpm.

LJ: light jockey, responsável pela dança de luzes.

Mixagem: passar de uma música para outra sem deixar cair o ritmo da pista.

Mixer: equipamento para unir duas ou mais músicas.

Pick up: toca-disco utilizado para tocar discos de vinil.

Pitch: controle deslizante para alterar a velocidade, para que o DJ sincronize a música atual com a próxima.

Sambar: errar.

Sampler: equipamento para armazenar e reproduzir o som da maneira que o DJ deseja.

Tecno ou techno: gênero de música eletrônica mais pesado. Variação da house, com batidas mais furiosas e menos suaves.

Track: música ou faixa de um disco.

Trance: uma ambient com batidas mais pronunciadas e rápidas.

Trip hop: também chamada de música bristol. É a música eletrônica lenta marcada por batidas desaceleradas e pelo uso de instrumentos convencionais e acústicos.

Nossas fontes

Aimec – Av. Imperatriz Leopoldina, 201, Taquaral, f. 3243-0559.
e-mail: campinas@aimec.com.br.
Site: www.aimec.com.br
DJ Fred Jorge:
e-mail: fjvicente@hotmail.com.
Site: www.fredjorgeeosmaiorais.com